29 de agosto de 2014

Durante a  viagem de ônibus até San José um casal tenta me convencer a comprar uns produtos naturais e nisso deixa um cartão comigo com seu telefone se caso eu mudasse de ideia. Logo quando descemos percebi que o motorista do ônibus deixou seu número com ela para que ela entrasse em contato com ele. Bom, e o que isso tem a ver com a nossa viagem? Coisas do destino. Depois de meia hora na rodoviária nos damos conta que tínhamos esquecido os dois capacetes na parte de cima do ônibus! Já estávamos irritados de mais uma vez perder algo na viagem até que me dou conta do contato do casal! Isso…ligamos para eles que nos passaram o telefone do motorista, e que para nossa surpresa estava a alguns metros da gente, preparando-se para mais uma saída rumo a Guápiles. Assim foi nossa chegada na cidade, mas pelo menos com final feliz e com os dois capacetes recuperados!

San José, é uma capital com cara de interior. Com seus 350 mil habitantes possui a vantagem de ter vários bairros sossegados e os infortúnios de não ter uma estrutura preparada para o seu tráfego carregado e sem espaço para todos, principalmente nas horas picos (5 da tarde) e quando chove. E que na verdade são quase todos os dias de maio a outubro , onde sair com um guarda-chuva já faz parte da vestimenta seja pelo forte sol da manhã ou pela chuva da tarde.

O primeiro lugar que conhecemos na cidade foi o bairro da Sabana, que também é um parque enorme cheios de opções de diversão como canchas de futebol, piscinas, quadras de beisebol, pistas de atletismo e patinação, e onde fica também o moderno Estádio Nacional de Costa Rica, também conhecido como La Joya de la Sabana.

Aí vimos como foi impactante a campanha da Costa Rica nesta última Copa do Mundo, muitas pessoas com camisetas da seleção, jogadores em várias propagandas na cidade, muita gente jogando futebol nas ruas por todas as partes e também muito orgulhosos de terem agora alguns “ticos” em grandes equipes da Europa.

Também junto ao parque desfrutamos do Museu de Arte da Costa Rica onde conhecemos alguns trabalhos de artistas locais como o escultor Francisco Zuñiga e o escritor Carlos Salazar Herrera. 20140830_140335

Notamos também que a cidade é bem preparada quanto a acessibilidade em locais públicos, por exemplo: rampas de acesso, calçadas táteis e semáforos com apitos.

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Um dos contatos que tínhamos na cidade era a Karol, uma ótima anfitriã que nos recebeu em sua casa no bairro de Zapote. AÍ vive com sua filha Cami e sua mãe Margarita, que justo estava comemorando seu aniversário neste dia com seus familiares. Nos chamou a atenção que sua casa era em uma sequencia de residências em uma rua fechada com quase todos irmãos residindo nesta ruela. Depois várias pessoas nos disseram que é algo bem “tico” os familiares morarem bem próximos.

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No outro dia bem cedinho fomos a feira dos agricultores em Zapote e ficamos encantados com a variedade de produtos como frutas, legumes e sucos. Resbaladera(espécie de arroz doce líquido), tortillas, pipas, nacho chino, manzana dágua , cocadas…

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Provamos tanto coisa na feira que não havia mais espaço para saborear o autêntico café-da-manhã costarriquense : o Gallo Pinto (arroz e feijão misturados com molho Lizano, que é uma espécie de molho inglês que não pode faltar na mesa costarriquense), acompanhado de ovos e plátanos com natilla, que caprichosamente Dona Margarete preparou para que conhecêssemos.

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Neste mesmo dia já tínhamos que seguir para  nosso próximo anfitrião Eduardo. Aproveitamos uma carona de bicicleta com a Karol cruzando a cidade até chegar em Santo Domingo de Heredia.

Aí estava nossa primeira experiência no site Warmshowers (um site de hospedagem para cicloviajantes), e fomos muito bem recebidos por Eduardo, Javier (seu companheiro de casa) e suas duas cadelinhas: Chima e Caye.

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Impressionante como nos trataram, era para ficarmos por 3 dias e durou uma semana nossa estadia. E um dia que deixamos a barraca sem a capa os nossos sacos de dormir ficaram encharcados, Eduardo cedeu sua cama e dormiu na rede! Sem palavras!

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Foram várias comidas compartilhadas, cada um com suas especialidades: Eduardo com seu robalo com azeite de coco e sua cerveja artesanal, Javier com sua sopa asteca e seu suco de cas, eu com minha lasanha de berinjela e Quique com seu guiso de arroz e suas gemitas.

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No processo da cerveja artesenal, ajudamos a engarrafar e assim conhecemos um pouco desta técnica tao saborosa e trabalhosa que é a fabricação das cervejas.

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Descansamos bastante esses dias, mas tiramos dois dias para explorar um pouco melhor San José já que estávamos nesta cidadezinha ao lado, Santo Domingo.

No mercado público de San José foram várias descobertas de sabores e aromas. O café o e o chocolate de Costa Rica são duas coisas imperdíveis, e juntos nem se fala! Pedaços de grãos de café cobertos com chocolate amargo, e nos rendemos de primeira! Um lugar recomendadíssimo para entrar e se perder entre os corredores cheios de vida, aromas e sabores.

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Chegamos em uma sorveteria (La sorbetera de Lolo Mora) para conhecer e para nossa surpresa só existia um sabor de sorvete: baunilha, cravo, canela e outros ingredientes não decifrados, mas que caíram perfeitamente em nossos paladares.  Por mais de um século a família Mora tem se encarregado de adoçar o paladar de quem vai ao Mercado Central, principalmente dos “ticos” que fazem deste sorvete uma de suas sobremesas preferidas.

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Seguimos um pouco mais pela cidade até começar a chover, buscamos um café livraria pelo centro para esperar a chuva e nada. O jeito foi seguir caminhando e passar pelo Mercado dos artesãos e pela praça da Democracia até chegar na Biblioteca Nacional onde foi o nosso refúgio da tarde, fazendo uma das coisas que mais gostamos: ler.

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Aí conseguimos ler uns trechos dos livros dos autores costarriquenses: Joaquim Gutierrez e Carlos Salazar Herrera (Cocorí e Cuentos de angustias y paisajes, respectivamente). Conhecer um pouco da literatura nos faz viajar por suas histórias e entender seu povo e costumes.

Em outro dia de andança pela capital, o clima não mudou muito e bem perto da Biblioteca  estava o Museu Nacional, e devido a forte chuva que caia se tornou o lugar mais indicado para estar. Ali se encontra um borboletário no qual se sobressaem as duas borboletas mais famosas, a buho(coruja) e a morpho. Em outra parte do museu, pode se ver nas paredes relatos históricos de quando se realizou o ato da abolição do exército no país, fato ocorrido no mesmo prédio em 1949 passando de ser o quartel Bella Vista para tornar-se o museu que conhecemos hoje em dia.

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Numa outra praça da cidade, a Plaza Central, um monumento em particular nos chamou  a atenção, já que o homenageado não era um herói nacional de guerra ou das letras, e sim o humilde mas importante gari. Escultura de bronze feita pelo escultor nacional Edgar Zuñiga, em homenagem aos trabalhadores que limpam as ruas e parques diariamente na capital.

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Na mesma linha do gari, também encontramos “La Chola” no centro da cidade,  uma escultura de bronze com 2,10 m de altura e 500 quilos de uma “señorona” que não passa despercebida pelas milhares de pessoas que passam ao seu lado todos os dias.

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Mais tarde nos encontramos com um grupo de ciclistas, no qual Karol faz parte, que irá fazer uma viagem também de bicicleta até o México em um projeto busca levar mensagem de paz pelos lugares que passam. Foi então que conhecemos também a Aida, seu namorado Daniel, Euclides e Estevan, e logo já combinamos para pedalar pela cidade para treinar.

O destino escolhido para pedalar foi o Vulcão Barva, não eram muitos quilômetros, mas eram todos de subida empinada, sem nenhuma parte de estrada na horizontal.  Não tínhamos ideia do difícil que seria.  Tentamos de verdade, mas resolvemos parar no meio de uma subida de uns 2km que não tinha fim. Já que quando perguntávamos aos locais se faltava muito para o vulcão a resposta era : uhhh falta!!

Retornamos e resolvemos fazer um lanche no parque de Barva, Karol tinha levado algumas coisinhas para nosso almoço: burritos adaptados!!

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Interessante também para conhecer na cidade de Barva um pouco das Mascaradas. Muito tradicional na Costa Rica, La Mascarada é um desfile que se faz em agosto para homenagear o patrono da cidade: São Bartolomeu. Crianças e homens usam máscaras ao som de música da chimarrona (como se fosse marchas e bandas) e por toda cidade se vê as máscaras, tanto nas praças como em cada nome de rua.

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Depois de mais de uma semana entre San José e Heredia era hora de partir rumo a Palmares, lugar natal de Aida e Daniel.

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