7 de janeiro de 2015 – (Guatemala)

Ubicación mapa: puntos 62, 63 y 64

Tentamos sair o mais cedo possível do “auto hotel” pois em alguns quilômetros adiante teríamos que enfrentar uma fronteira mais. Neste caso, em La Hachadura, divisa de El Salvador com Guatemala. Escolhemos esta fronteira pois por ali nos livraríamos de muitas montanhas, mas logo adiante não teríamos como escapar delas…

Uma pausa para o café-da-manhã antes de passar na imigração salvadorenha para carimbar a saída no país. Depois de uma grande fila, lá estávamos prontos para seguir para o país vizinho.

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No posto de entrada da Guatemala não tivemos nenhum problema, inclusive nos chamou a atenção como nenhum policial de fronteira nos revisava as bicicletas e já em outros veículos sempre tinha uma revista.

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Agora sim, já em terras guatemaltecas! Tínhamos 55 km até a próxima cidade escolhida no mapa: Chiquimulila.

O caminho até lá foi tranquilo, mas o calor estava fortíssimo! Quando aparecia uma sombrinha era a glória. O calor parecia sair do chão em forma de vapor quente que grudava na pele.

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Depois de muitas paradas, chegamos enfim a um trevo com a placa com o nome da cidade. Mas para o nosso azar, ainda tínhamos uns quilômetros de subida em uma reta interminável até chegar ao centro da cidade. Sem saber aonde iríamos dormir, nossa primeira opção foi a estação de bombeiros. Chegamos e não sentimos um ambiente muito receptível e preferimos buscar um hotelzinho para ficar essa noite.

A cidade estava um caos, com feiras nas ruas, muitas motos e carros e nós conseguimos entrar em uma rua na contramão para piorar nosso stress. Foi um alívio encontrar um lugar pra ficar e ali passamos duas noites. Escrevendo, colocando o site em dia, fazendo contatos  e descansado, assim passamos estes dias por Chiquimulilla: sem muito sair da toca.

No outro dia, um pouco antes de chegarmos ao nosso outro destino, começaram aparecer os caminhões levando cana de açúcar. Nosso desafio além de ir bem pelo acostamento, era também desviar das canas que iam caindo no chão. Logo vimos que era uma região de engenhos de açúcar, e justo nesta época era feita a colheita.

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A paisagem também mudou, e agora o que nos acompanhava ao nosso lado eram três vulcões.

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Foram 64 km até Escuintla, aonde Byron e sua família iam nos receber por esta noite.  Byron é um superatleta, quando pensávamos que viajar de bicicleta era bastante desafiador, conhecemos a história de Byron que chega a correr 100 km em algumas competições! Imagina para nós 100 km de bicicleta já é bem considerável, nem conseguimos imaginar correndo todo esse percurso.

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Nosso ponto de encontro era na Pradaria (shopping) da cidade. Ali aproveitamos para comprar um chip para o celular com número guatemalteco e trocar dinheiro. Tentei trocar nossos dólares pela moeda da Guatemala (quetzal) em três bancos e todos alegavam que não poderia fazer o cambio pois eu não tinha conta nesses bancos. Nossa sorte foi que o funcionário que compramos o chip era amigo do gerente de um desses bancos e conseguiu fazer o cambio para gente após muitas tentativas!

Depois de encontrarmos com nossos anfitriões do dia, fomos escoltados por Byron e seu filho também chamado Byron até a casa deles onde fomos recebidos amavelmente por Mirna, Khristy, Maria José e a pequena Jimena.

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E quando pensamos que era só Byron que era  atleta em casa, nos surpreendemos que toda família participa de atividades físicas, seja em corridas e maratonas como em bicicleta também.

À noite fomos todos jantar, e o local quem decidiu foi Jimena. Não pela comida seguramente, e sim pelo parque de diversão que possui o estabelecimento. Era o famoso Gallo Campero, um restaurante de comida rápida especializado em frango de todo tipo. Byron nos conta que uma família guatemalteca começou com o negocio em 1971 e hoje em dia conta com restaurantes em mais de 10 países.

pollo campero

Fonte: http://www.perspectiva.com.gt/empresa/remodelaciones-de-pollo-campero/

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Jime com a coroa do Pollo Campero

No outro dia, gentilmente Byron Filho se ofereceu para nos acompanhar no trajeto até a cidade de Antigua. Eram apenas 35 km assim que nem nos preocupamos muitos e saímos de Escuintla beirando o meio-dia.

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Bem que Byron já tinha nos avisado, que era um bom treino para ele essa ida até Antigua pois em um mês teria um campeonato de ciclismo.E nós pensávamos que ia ser bem leve a pedalada do dia.  Logo na saída da cidade já vimos de longe o vulcão de Fogo e sua fumarola constante.

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De repente a estrada plana deu início a uma subida, e para nossa infelicidade esses 35 km eram de pura montanha! E curiosamente olhando para uma pedra bem no alto no lado esquerdo, Byron nos mostra uma cara desenhada em esta gigante pedra. Diz ele, que exatamente deste ângulo é que se pode observar bem. Parece um rosto de uma mulher e possui diversas lendas e mitos sobre este lugar, que também é conhecido por Macizo de Palín por muitos que escalam este local.

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Depois de 2 horas de pedaladas, paramos em um posto de gasolina para descansar.  Byron me pergunta se eu não queria testar a sua bicicleta Speed (de velocidade, com pneu fininho), eu um pouco receosa aceito e saio “voando” na frente dele e Quique! Quanta diferença uma bicicleta levinha e sem nada de carga, já para eles estava duro… Várias paradas, e o trajeto que Byron faz de treino com sua bicicleta leva 1h30 , nós levamos 5 horas !

Creio que o fato de ter pedalado 4 dos últimos 5 dias também influenciou bastante para este trajeto ter sido tão “dramático” para gente!

No outro dia, chegariam a Antigua os pais do Quique para passarem 15 dias com a gente.  Estávamos ansiosos para  rever Luis e Maria, afinal já eram quase 6 meses sem vê-los e já tínhamos várias atividades programadas para fazer com eles. Uma delas era subir ao vulcão Pacaya, e quem se ofereceu para fazer esta escalada com a gente foi toda família de Byron.

A partir deste dia, deixaríamos as bicis descansado por duas semanas. No outro dia cedinho pegamos um “camión” até Escuintla, aqueles ônibus coloridos, barulhentos, cheio de gente e que parava em cada esquina. Uma boas-vindas bem guatemalteca para os uruguaios recém-chegados.

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Toda família Cano Sandoval estava nos esperando para  fazer a caminhada pelo vulcão Pacaya, localizado na Sierra Maestra a 2555 metros acima do nível do mar. Fomos de carro até a entrada do Parque, o que levou uma hora até ali.

Neste ano de 2015 foi gravado neste local um filme guatemalteco chamado Ixcanul (vulcão Pacaya) pelo diretor Jayro Bustamante no qual ganhou vários prêmios. É a história de Maria, uma menina que vive tranquilamente a beira do vulcão com sua família até que sua vida dá voltas e começa a conhecer outras realidades como tráfico de crianças e do forte machismo da sua sociedade.

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Este vulcão é um dos de mais fácil acesso, pois em menos de uma hora se pode chegar ao topo.

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Vendo as propagandas das agências turísticas, o Pacaya era este com lavas e “sempre ativo”.

Fonte hangon.com.br

Fonte hangon.com.br

Começamos a caminhada, parecia bem leve para quem estava acostumado a fazer exercícios. Por exemplo, para Byron (pai), era apenas um treino já que toda semana ele estava ali subindo e descendo estes caminhos para sua preparação para as maratonas.

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algumas árvores se apresentam com formas estranhas…

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Depois de algumas paradas, logo estaríamos chegando bem a sua “aba” e para alguns ali foi o ponto máximo.

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Maria e Luis (Mãe e pai do Quique) com o vulcão d´água ao fundo.

E aí que ficamos sabendo que a última erupção do Pacaya tinha sido em 2014, mas que continuava ativo, inclusive soltava fumarolas e em que várias partes sentia-se o chão bastante quente e com vapor. Mas não com aquelas lavas que víamos nos folhetos turísticos.

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Byron (pai) nos chama para ir um pouco mais adiante, mais perto da cratera. Estava cada vez mais frio, mas a vista também fazia-se valer o esforço!

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Os Byrons após terem espiado a cratera do Pacaya!

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O sol já estava querendo baixar e nós  apressamos o passo para não pegar a escuridão pelo caminho.

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E aí era hora de correr. Descer esta parte do vulcão devagar não era tão divertido, assim que nos rendeu muitas risadas e também alguns tombos.

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Jimena era a mais empolgada e aguentou firme todo trajeto.

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Mais de 20 minutos de caminhada ainda nos restava até chegar ao estacionamento novamente, desta vez o cansaço já estava começando a aparecer.

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E para completar, houve um acidente na estrada. Víamos só pessoas correndo para um lado e para outro com bacias e outros recipientes: tinha virado um caminhão cheio de açúcar, para festa dos moradores! E mais meia hora para gente chegar no hotel.

Todos cansados, Byron e Maria José ainda nos levaram até Antigua de carro já que pelo horário não havia mais ônibus para regressar até lá.

Sem palavras para agradecer todo carinho desde o primeiro dia que esta família nos deu lar sem nos conhecer e depois ainda fazendo e disponibilizando de  seu tempo para passar um agradável dia com a gente!

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